(1) Impressões.



As impressões seriam nossas percepções mais vívidas e fortes, por exemplo, nossas sensações. Quando eu vejo o notebook na minha frente, eu tenho a impressão em minha mente desse computador. Essa impressão é vívida, pois eu estou em contato direto com aquilo que me cria essa impressão. Eu tenho uma experiência com o objeto da minha impressão. As impressões podem ser caracterizadas como sensações, que são frutos da experiência que tenho dos meus sentidos com objetos externos; ou reflexões, que são frutos da experiência que tenho dos meus sentimentos, ou seja, são objetos internos a nós.
(2) Ideias.
As ideias, por sua vez, são os objetos que estão em nossa mente sem que tenhamos naquele momento um contato direto com as impressões dela. As ideias seriam impressões menos vívidas, mais tênues. Por exemplo, quando eu penso na bicicleta que eu tinha quando criança, ainda que eu feche os olhos e quase sinta o vento em meus cabelos ao pedalar aquela bicicleta, essa impressão que eu tenho é menos vívida que a do meu notebook, que está agora na minha frente. Os objetos da minha memória (como a bicicleta) não são objetos presentes nas minhas impressões (como o notebook), esses objetos da nossa mente seriam as ideias. Podemos distinguir dois tipos de ideias: as simples e as complexas. As ideias simples são aquelas que são cópias diretas de impressões que tivemos. A da bicicleta, por exemplo, é uma ideia simples, pois eu tive uma impressão com essa bicicleta no passado, mas hoje eu só tenho a ideia dessa bicicleta, que é a memória dela.



Belerofonte montando Pégaso enquanto mata a Quimera.


As ideias complexas, por sua vez, são objetos da nossa imaginação. Pensem em Pégaso, o famoso cavalo alado da mitologia grega. Nós – e ninguém – teve a impressão direta de um cavalo com asas. Mas ele é objeto de nossos pensamentos, e entendemos qualquer frase que fala sobre Pégaso. Por exemplo, conseguimos entender a frase “Pégaso era o cavalo alado de Belerofonte”. Como podemos entender essa ideia, se nunca tivemos uma impressão direta com ela? Porque a ideia que temos de Pégaso é fruto da imaginação, é uma ideia complexa. A imaginação, para Hume, é a faculdade que é capaz de manipular as ideias simples, gerando ideias complexas. Por exemplo, eu entendo o que é “cavalo” e o que é “asas”, pois já tive experiência com um cavalo e com um animal com asas, como um pássaro. Tenho assim a ideia simples de cavalo e a ideia simples de asas, que é uma cópia da impressão que eu tive ao ter o contato com esses animais. A imaginação, por sua vez, permite-me misturar essas ideias simples e formar uma nova, a ideia complexa de cavalo alado.
Outro argumento que Hume apresenta para defender o princípio da cópia é o da impossibilidade de formarmos ideias sem que haja uma sensação, ou impressão, pelo qual essa ideia é uma cópia. Se não podemos formar ideias acerca de sensações que jamais tivemos, então todas as nossas ideias são cópias de nossas impressões. De fato, não podemos formar ideas acerca de sensações que nunca tivemos, isto é, de impressões que nunca tivemos. Para pensarmos nisso, basta pegarmos o caso de deficientes físicos. Um cego não poderia, infelizmente, formar a ideia de cor; tal como um surdo não consegue formar a ideia de sons. Isso por que tanto o cego quanto o surdo não podem ter a experiência, a impressão, que forma a ideia (respectivamente) de cor e som. Portanto, todas nossas ideias são cópias de nossas impressões.
Como funciona as conexões entre as ideias que formamos? Hume afirma que são de três modos:



Esse é o retrato de David Hume, e através dele temos a ideia de como ele realmente era.


Semelhança: Quando vemos um retrato, por exemplo, formamos a ideia desse retrato, mas naturalmente pensamos no objeto original, que é retratado. Isso acontece por que conectamos a ideia do retrato com a ideia do objeto retratado através da semelhança.








Ao vermos um quarto nós já supomos que existem outros cômodos, ou espaços além desse. Com essa imagem, por exemplo, já até supomos que os outros cômodos da casa não seriam lá muito arrumados…


Contiguidade: Já quando pensamos em um cômodo de uma casa, como um quarto, nós pensamos também acerca dos outros cômodos. Nós sempre pensamos que para todo espaço qualquer A existe um espaço maior B no qual A pertence a B. Isso acontece por que a ideia que temos de A se conecta com a ideia que formamos de B através da contiguidade. 





Ao vermos essas ondas na água nós já supomos que houve alguma coisa antes, provavelmente que caiu na água, que causou esse efeito que vemos, isto é, essa perturbação.



Causalidade: Quando pensamos em causas e efeitos, nós pensamos através da conexão de ideias regidas pela causalidade. Por exemplo, pense quando jogamos uma pedra em uma poça com a água em repouso. Nós temos a ideia dessa ação de jogar a pedra. Automaticamente nós conectamos essa ideia ao seu efeito, a perturbação da água que estava em repouso. Conectamos a ideia do efeito, que é a perturbação da água em repouso, com a ideia da sua causa, que é atirarmos a pedra na poça d’água.  Essas conexões acontecem em virtude da causalidade.
Hume pensa que através desses três princípios de conexões, ou associações entre ideias, nós seremos capazes de explicar como funciona nosso processo de compreensão. Temos assim uma resposta para a pergunta de como entendemos o mundo. A resposta seria que nosso processo de entendimento é composto por impressões e ideias, e nós conectamos as ideias de três modos. Esses modos determinam como entendemos as coisas. Hume dará especial atenção para o terceiro modo de que conectamos as ideias, o princípio de causalidade. De acordo com ele, é através desse princípio que fundamentamos todos os nossos conhecimentos científicos, pois sempre supomos que todo evento na natureza são causados por alguma coisa, e a ciência pretende descrever e fornecer as leis que regem a conexão entre esses eventos. Por exemplo, quando soltamos um objeto temos como efeito ele cair, e a ciência oferece uma lei (nomeadamente, da gravitação) para descrever como isso acontece.
Como nós justificamos os nossos conhecimentos? Hume oferece dois tipos de justificações e diz como elas se comportam. De acordo com sua explicação, todo o conhecimento humano é dividido em relações de ideias e questões de fato.
  • Relações de Ideias
O conhecimento baseado em relações de ideias são aqueles tais como da matemática, geometria e lógica. Trata-se de conhecimentos a priori que temos, que determinamos sua verdade pela simples operação do pensamento, independente do que possa existir em qualquer parte do universo. Por exemplo, sabemos que todo triângulo tem três lados, ou que o quadrado da hipotenusa de um triângulo é igual a soma dos quadrados de seus dois lados apenas pelo raciocínio. Não precisamos da experiência para descobrir que essas afirmações são verdadeiras. Ela é verdadeira indiferente a como o mundo se comporta.
  • Questões de fato
O conhecimento baseado em questões de fato são aqueles das ciências empíricas, ou aqueles que que temos no dia a dia sobre o mundo. Trata-se de conhecimento a posteriori, que só podemos determinar sua verdade através da experiência. Ou seja, não podemos saber se afirmações que são questões de fato são verdadeiras ou falsas apenas pensando sobre elas, tal com ocorre na matemática por exemplo. Como sabermos se a afirmação de que Napoleão tinha um cavalo branco, é verdadeira ou falsa? Não podemos determina a veracidade desta afirmação apenas pensando sobre isso, precisamos de que alguém tenha visto o cavalo de Napoleão para determinar se a afirmação é verdadeira ou falsa.     Além disso, não incorreríamos em alguma contradição em supormos a negação de uma questão de fato. Toda afirmação que é uma questão de fato é contingentemente verdadeira. Ou seja, é verdadeira, mas poderia ser falsa.
Entre vários tipos de afirmações que fazemos, Hume teve interesse por um tipo em especial, as questões de fatos não-presentes. O que seriam essas afirmações? Quando fazemos afirmações de questões de fatos, só podemos determinar seus valores de verdade de modoa posteriori. Ou seja, apenas através da experiência sabemos se elas são verdadeiras ou falsas. Mas há um certo tipo de questões de fatos que não nos é permitido conferir todos os casos, através de experiência, para sabermos se de fato a afirmação é verdadeira ou falsa. Pense, por exemplo, na afirmação que todos os seres humanos são mortais. Acreditamos que essa afirmação é verdadeira em virtude de todas as vezes que vimos seres humanos morrerem, além de que todos os relatos que chegaram até nós parecem confirmar essa tese. No entanto, nós nunca poderíamos investigar todos os seres humanos para constatar se essa afirmação é verdadeira ou falsa. Daqui a 100 anos nascerá um ser humano, mas nós já supomos que ele será mortal. 
Hume afirma que as questões de fato não-presentes estão fundamentadas nos princípios da causalidade. Entre os três modos de conectarmos as ideias, um deles é a causalidade. Ela nos permite compreender como o mundo se organiza em causas e efeitos. Assim, a nossa justificação para afirmações desse tipo se sustenta nesse princípio. De acordo com Hume, as questões de fatos não-presentes são justificadas pela causalidade, ou princípio da causação. Todavia, como podemos conhecer causas e efeitos? Como esse processo funciona? Iremos agora não nos preocupar qual é a justificativa para questões de fatos não-presentes, mas tentaremos nessa parte entender como elas funcionam.
Hume foi um dos principais expoentes do empirismo, principal corrente filosófica que se opunha ao racionalismo. Enquanto o racionalismo tentava fundamentar na razão o papel predominante para aquisição de conhecimentos substanciais acerca da realidade; o empirismo diz que são nossos sentidos que têm esse papel fundamental.  A nossa aquisição de conhecimento é feita em virtude de conhecermos e determinarmos certos conceitos, e isso ocorre em virtude de certas experiências que temos. A análise que Hume oferece do nosso entendimento, com a distinção entre ideias e impressões, e que todas ideias são cópias de impressões, deixa claro sua posição empirista. Nossas ideias são determinadas em virtude das experiências que tivemos. Se não tivéssemos essas experiências, jamais formaríamos ideias, haja vista que são essas experiências que nos permitem formar impressões, e as ideias simples são cópias das impressões que temos. Então todo conhecimento que temos sobre o mundo será, em última instância, baseado nas impressões que tiramos das experiências que tivemos.
David Hume foi um dos principais filósofos do período moderno, sintetizando com maestria a tese empirista em sua análise dos processos do entendimento e apresentando um dos principais problemas filosóficos que temos hoje: O Problema da Indução. 
                    David Hume






Grupo 4: Letícia Cabral Inácio Pereira
                Marlene Figueiredo
                Maria Aparecida Lopes Teixeira

Referências:


  http://www.suapesquisa.com/quemfoi/david_hume.ht
 http://www.filosofia.com.br/historia_show.php?: Acesso  em 14/10/16
http://www.ufjf.br/revistaedufoco/files/2015/10/Revista-Filosofia-da-                 Educa%C3%A7%C3%A3o-v20-n2-1.pdf#page=71 . Acesso em 14/10/16
http://www.universoracionalista.org/hume/. Acessado em 13-10-2016.  http://filosofianoliceu.blogs.sapo.pt/1797.html. Acessado em 13-10-2016